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IFPA realiza curso de Libras nível intermediário

  • Publicado: Sexta, 21 de Dezembro de 2018, 09h59
  • Última atualização em Segunda, 07 de Janeiro de 2019, 09h32
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A inclusão começa pelo domínio da Língua Brasileira de Sinais

 

Comunicação e expressão são bases do desenvolvimento humano, uma complementa a outra no processo de ensino e aprendizado para a inclusão das pessoas surdas nas instituições de ensino. Foi com esta certeza que servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) participaram, de 17 a 20 de dezembro, da segunda etapa do curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) ofertado pela Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP) do IFPA.

 

O curso intermediário de Libras ocorreu a pedido do Departamento Pedagógico de Apoio ao Ensino (DEPAE) e Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE) do IFPA, Campus Belém. O especialista e docente de Língua Brasileira de Sinais (Libras) da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), José Sinésio Torres Gonçalves Filho, que também ministrou o curso de nível básico, a pedido dos alunos, foi quem deu continuidade à capacitação e deverá ministrar a terceira etapa prevista para janeiro de 2019.

 

O objetivo desta segunda etapa foi aprimorar os conhecimentos acerca dos parâmetros de Libras, capacitar estudantes e servidores para identificar e aplicar os classificadores nos diálogos e ajudar a perceber a estrutura própria da Língua de Sinais para se comunicar de forma clara e objetiva por meio dela. Após a revisão sobre os conhecimentos do nível básico, abordaram-se os aspectos linguísticos e gramaticais; os parâmetros de configuração de mãos, ponto de articulação; movimento e orientação; expressão facial e corporal; classificadores na Libras; tipos de frases (afirmativa, negativa, exclamativa e interrogativa); verbos; e Lei 10.436/02 . “Com este conhecimento básico, basta dialogar com os surdos por meio de datilologia para aprender os sinais utilizados pela comunidade surda. O próprio surdo vai ajudando os falantes a assimilar os sinais, precisam praticar, acostumar-se com este tipo de comunicação e eliminando os bloqueios”, explica o professor Sinésio.

 

As aulas foram dinâmicas, ministradas com o auxílio da lousa interativa e quadro a pincel. Foram desenvolvidas várias atividades individuais, em dupla e em grupos para facilitar a assimilação dos sinais e do alfabeto manual dos surdos-mudos (datilologia). Professor Sinésio buscou sensibilizar os participantes do curso sobre o valor da Libras enquanto língua capaz de tornar os surdos protagonistas da própria história.

 

A estudante do 5º semestre de Pedagogia na Ufra, Paula Letícia da Luz Ferreira, comenta que já cursou a disciplina de Libras na faculdade, mas sentia falta de um aprendizado mais aprofundado como o ofertado pelo IFPA. “Não aprendi nenhum sinal lá e isso me revoltava. A turma toda se sentiu lesada pelo tempo despendido em vão. A maioria de meus colegas buscou fazer um curso extra para aprender a se comunicar com os alunos surdos. A gente aprendeu sobre o contexto histórico da Libras, mas nós alunos de Pedagogia sentimos necessidade de saber comunicar-nos com os surdos”, ressalta.

 

“A didática e metodologia adotadas pelo professor Sinésio facilitou muito o aprendizado da Libras. Gostei muito do curso. Em poucas aulas, no curso básico e o intermediário, que tivemos aqui, já conseguimos nos comunicar e entender bem os surdos. Sempre que eu souber que ele irá ministrar um curso, com certeza vou fazer. Enquanto aluna de Pedagogia, eu queria entender como os surdos poderiam aprendem inglês, pois é uma língua que exige muito da fala. Mas, o surdo não fala, então ficava pensando se por isso ele  ficaria impedido de se comunicar e expressar em inglês. Mas, aqui, o Sinésio me explicou que os surdos podem aprender inglês, francês, espanhol, como qualquer outra pessoa, porém em língua de sinais. Gostei de compreender que os surdos são mais visuais. Este curso foi importante para entender o surdo como ser humano. Nós ouvintes nos comunicamos pela fala. E os surdos? Eles não falam Português, só Libras. Então, para eles não ficarem isolados, nós falantes precisamos aprender Libras e sinais para comunicarmos com eles. Os surdos até nós entendem, mas se nós não soubermos a Libras, eles não conseguem ser compreendidos por nós. O próprio professor Sinésio relatou, aqui, que acabou abandonando o curso de arquitetura por que não conseguia compreender o que o professor dizia em Português, acabou desistindo e saiu triste por isso. Faltava empatia para compreendê-lo como ser humano e capaz de aprender”, complementa Paula.

 

A pedagoga no IFPA Roseane Fernandes da Costa explica que os servidores públicos e professores que atendem pessoas surdas precisam conhecer não só a Lei 10.436/02, que regulamenta o ensino de Libras, mas aprender Libras para praticar a inclusão de fato das pessoas com deficiência auditiva ou de fala. “Não adianta dizer que temos um espaço de inclusão, que entendemos as necessidades específicas dos alunos se eu não vivo isso. Com este curso, não só aprendo Libras, como tenho oportunidade de interagir com o outro. Este curso foi muito interessante pelo fato de nosso professor ser surdo, criando a interação com uma pessoa que tem esta necessidade específica. A gente sentiu a necessidade de aprender para poder dialogar com quem se comunica por meio de Libras e sinais. Todos os Napnes, todos os campi do IF, todos que estão ofertando cursos de Libras, que em seu planejamento de ação para 2019 inclua a comunidade de forma a articular como ofertar o curso de Libras e como trabalhar de fato a inclusão dos cegos e dos surdos. Tudo isso se faz a partir da sensibilização e formação, como a ofertada nestes dois cursos _ básico e intermediário de Libras. A sensibilização nos leva a entender que eu preciso compreender os surdos e para isso precisa-se de formação continuada”.

 

Durante a aula, a chefe do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) do IFPA, campus Belém, professora Priscila Giselli Silva Magalhães compartilhou a própria experiência sobre o aprendizado e prática de Libras e incentivou os colegas a treinarem o dialogo com as pessoas surdas. “Fiz um semestre de Libras, em 2012, até conseguia comunicar-me bem. Porém, passei aproximadamente 6 a 8 anos sem dialogar com os surdos e esqueci muita coisa. Eu fiz outro curso, mas não consegui aprender muito. Mas, com este curso que fizemos aqui no IFPA, o primeiro e segundo módulo, eu consegui conversar com um surdo que encontrei aqui no Instituto. Consegui explicar e entendê-lo também. Agora, acredito que preciso treinar para continuar aprendendo e seguir realizando a inclusão”, conclui.

 

Texto e foto: ASCOM IFPA Reitoria

 

 

 

 

 

 

 

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